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01 ...05 agosto

Oficina de Verão

Olhar
e filmar

Mercedes Álvarez
em colaboração com La Plantación - Encuentros y Conocimiento

Local: Escola Secundária de Melgaço

A partir da experiência da cineasta, esta oficina propõe partilhar a construção e estudo do processo de criação de um filme documentário, ao longo de todas as suas fases.

Será abordado o cinema do real como uma dialética entre as 3 fases fundamentais da sua criação: o que se olha para ser filmado, o momento único de filmar e o olhar sobre o filmado.

Serão analisadas as singularidades de um projeto cinematográfico e como interagem as diferentes fases de criação, como a sua ordem é alterada e as implicações dos diferentes modos de produção.

A oficina


Conteúdos

1. Olhar para Filmar

Antes de colocar a câmara. Observação e exploração.
Antecipação; o olhar preventivo, sonhar as imagens.
O guião como instrumento. Guião aberto, guião prévio, guião de investigação.

2. Filmar para olhar

Captura, espera e atenção. Para além do visor da câmara.
Filmar para montar. Entro e fora do plano.
A câmara que olha: o olhar que filma, o olhar de espera, o olhar que provoca.

3. A montagem como escrita cinematográfica

Memória do filmado. Visionar, refletir, imaginar.
O guião reescrito. O relato escondido das imagens capturadas.
A forma que pensa; esboços e montagens parciais.
Ritmo, tempo e melodia na montagem. O eco, a ressonância e o silêncio.
Leitura e compreensão do espaço; esconder e mostrar, campo e fora de campo.
Tempo capturado e elipse; retrato, testemunho, presença e ausência.
A imagem comentário, a voz em off, o intertítulo.
Som e som ambiente, diálogo e parágrafo, ritmo, silêncio e respiração.

Mercedes Álvarez analisará todos estes conteúdos desde a análise de exemplos selecionados de fragmentos cinematográficos da sua obra, assim como exemplos do passado e recente histórias do cinema.

Objetivos

Serão abordadas as funções, recursos e possibilidades da montagem cinematográfica. A montagem como autêntica escrita de imagens, palavras e sons, como arte e técnica da composição do tempo, do espaço e o relato dentro da obra.
A montagem não é apenas, mais uma fase, isolada e independente, dentro do processo de realização de uma obra. Neste sentida esta esta oficina analisará também o trabalho de montagem em função das fases de investigação, observação e guião, que antecedem e acompanham a rodagem. Atualmente esta correlação das diversas fases da realização de uma obra cinematográfica gravitam sobre o trabalho de montagem como escrita do filme, tornando-se particularmente relevantes em obras de autoria individual, onde as técnicas e materiais digitais simplificam a produção e a captura das imagens.
A análise deste processo cinematográfico sobre o real tem por objetivo provocar um reflexo giratório em torno do olhar; um contraponto à enxurrada e ruído de imagens que atualmente nos dificultam o olhar, o pensar, o imaginar e o compreender.

Público-Alvo

Realizadores, Vídeo artistas, Estudantes de Cinema, Artes e Comunicação Audiovisual, Imagem e Som, Guionistas, Escritores, Produtores, Atores e a todos os interessados em cinema de autor.

Calendarização

Dias 1, 2, 3, 4 e 5 de agosto de 2022

Programa

Transportes

A organização do MDOC assegurará os transportes para os participantes. em colaboração com La Plantación - Encuentros y Conocimiento.

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Inscrições

Preço: 625€ (com alojamento + pensão completa) e 535€ (sem alojamento + refeições)

Inscrições on-line em la plantacion.

O número de inscrições é limitado, pelo que as inscrições serão aceites por ordem de chegada.

• A organização garantirá um Certificado de Participação.

• As línguas utilizadas na Oficina de Verão " OLHAR E FILMAR" com Mercedes Álvarez, serão o português e o castelhano.

inscrição

Material necessário

Caderno para anotações. Poderão ser partilhados trabalhos pessoais com Mercedes Álvarez, para análise.

mercedes álvarez

Formadora

Mercedes Álvarez

Nasceu em Castilla y León. Em 1997, realizou uma curta-metragem de ficção El viento africano. Desde 1998, centrou a sua atenção no documentário e participou no Master de Documental Creativo de la Universidad Pompeu Fabra de Barcelona. Como editora de imagem trabalhou no filme José Luis Guerin En construcción. Em 2004, realizou seu primeiro filme, o documentário El Cielo Gira, conquistando diversos prémios em inúmeros festivais. Recentemente, realizou o filme Mercado de Futuros, selecionado para os mais importantes festivais. Mercedes entende o cinema documental de uma forma aberta “é uma história ligada a várias associações, a intercâmbios entre os cineastas de diferentes países, a circuitos minoritários, a cineclubes”. Nos seus filmes dispõe do tempo para parar e pensar e ver com novos olhos, para separar o essencial do supérfluo “As imagens são carregadas de tal intenção, na ficção e na publicidade, que não permite ao espectador imaginar, chegar por si próprio a conclusões. É preciso confiar na inteligência do espectador, é um elemento criativo que temos que respeitar”. “O cinema militante será sempre necessário, mas confio mais na militância ao longo de um percurso, não num único trabalho com uma mensagem social. Isto implica a criação de um código ético, um princípio que tem que ver principalmente com o que não queres fazer, como não ser retórico ou usar estereótipos. Penso que ao expormos um problema devemos aprofundá-lo o necessário. Trata-se de uma postura moral: quando os cineastas perceberem o poder das imagens terão consciência que é necessário contar coisas de forma diferente”.