IV Kino Meeting

Outros Públicos

mdoc festival

Gilbert Seldes (1960) afirma que não existe iliteracia no Cinema. De facto o argumento do autor sustenta-se na ideia de que todos espectadores são capazes de interpretar a linguagem cinematográfica e de compreender objetos, locais e personagens, familiares ou imaginários, de acompanhar as histórias narradas, mesmo quando o filme recorre a elipses temporais, deslocações geográficas e a desenvolvimentos narrativos inesperados. Além disso, o Cinema apresenta um considerável potencial educativo, quando usado como instrumento de transmissão de conhecimentos e de conteúdos específicos. De certa forma, podemos compreender que o Cinema alarga a experiência educativa do público e, por isso, contribui para expandir a literacia do público.

Mas se as histórias narradas ou os conteúdos comunicados são interpretados facilmente pelos espectadores, existem inúmeros recursos conotativos que requerem uma análise para lá da superfície das imagens e dos sons. A semântica das imagens em movimento e a sua justaposição estão imbuídas de múltiplas significações e apresentam a necessidade de uma literacia visual específica que se debruça sobre uma interpretação aprofundada, da desconstrução dos recursos narrativos, e que requer uma pedagogia específica.

Comumente associada a um público infantil, a literacia fílmica deve estender-se por isso a outros públicos, públicos muitas vezes desconsiderados pelos serviços educativos e que podem beneficiar do Cinema enquanto espaço de interpretação e de expressão. Projetos de literacia cinematográfica destinados a crianças e adultos com deficiências físicas ou mentais, públicos marginalizados ou em risco podem contribuir para a pluralidade cultural e educação cinematográfica, ampliando o espectro de públicos e favorecendo a partilha de conhecimentos e de valores a partir do Cinema.

As instituições convidadas para a quarta edição do Kino Meeting apresentam projetos inovadores e desafiantes, destinado a públicos menos comuns: cegos, autistas, portadores do síndrome de Down, reclusos, jovens de etnia cigana…

O desenvolvimento tecnológico facilitou o acesso a equipamentos e a processos de construção de filmes e a experiência empírica reveste cada projeto de um interesse acrescido, abrindo um caleidoscópio de interpretações do Mundo a partir das perspetivas e sensibilidades de quem produz os filmes, a partir da posição de outros públicos.

À semelhança das edições anteriores, a participação é gratuita mas sujeita a inscrição prévia.

Inscrição

Seldes, Gilbert. Communications revolution. In Carpenter and McLuhan (Eds.) Exploration in communication. Boston: Beacon Pr., 1960.

Programa

05 Agosto . Quinta-Feira

Hora Atividade Local
10h00 Apresentações e notas introdutórias Solar do Alvarinho
Outros Públicos: criar, inovar
10h15 Constança Amador - Curtas de Vila do Conde (Pt) Solar do Alvarinho
10h45 João Católico - CINANIMA (Pt) Solar do Alvarinho
11h15 Abi Feijó - Casa Museu de Vilar (Pt) Solar do Alvarinho
12h00 Almoço -
Outros Públicos: Olhares divergentes
14h00 Jurek Sehrt - Deutsche Kinemathek (Alemanha) Solar do Alvarinho
14h30 Jean-Luc Slock - Camera etc (Bélgica) Solar do Alvarinho
15h00 Daniel Maciel - AO NORTE (Portugal) Solar do Alvarinho
15h30 Neva Cerantola - Cinemateca Júnior (Portugal) Solar do Alvarinho
16h00 Apresentação dos resultados do workshop promovido durante a semana com jovens de Melgaço (com Abi Feijó) Solar do Alvarinho

06 Agosto . Sexta-Feira

Hora Atividade Local
09h30 / 12h30 - 14h00 / 18h00
Oficina de Cinema de Animação Cápsula do Tempo: o que gostaríamos de deixar para as gerações futuras. Formadores: Regina Pessoa e Abi Feijó